Assim como posts novos no
concatenum.com, alguns eventos que não costumam acontecer sempre ocorreram nesse último período sem atualizações por aqui.
O tremor de terraNão percebi logo de primeira o
tremor de terra sentido em São Paulo, mas minha esposa sentiu a cama balançando e me avisou na hora. Aí eu notei um leve abalo e deitei de costas no chão para confirmar que o prédio estava mesmo balançando ligeiramente, o que é um tanto assustador quando se mora no décimo andar. Mas o abalo era muito leve, se ela não me chamasse a atenção para o fato eu não teria notado. Só tenho ela como testemunha, mas afirmei na hora que deveria ser o efeito de algum tremor no Chile ou Argentina, como já aconteceu outras vezes. Acessei o
Earthquake Hazards Program e ainda não havia novidades, mas minutos depois os sites noticiosos já estavam dando destaque ao evento e minha vaga conclusão de sismólogo amador estava correta, errei apenas o epicentro. Bem, mais incômodo que o abalo foi ouvir falar dele por quase três dias. Como agora todos os meios já divulgaram que sempre será possível sentir abalos sísmicos por aqui, espero que a comoção pública e da mídia em novas ocorrências seja menor.
Oh well, wherever, wherever you are,
Iron Maiden's gonna get you, no matter how far
No começo de Fevereiro meu grande amigo Daniel me perguntou "vai no show do Iron?". Vontade não faltava, é lógico, mas os ingressos estavam esgotados há meses. Em seguida a segunda pergunta, já intimando: "se eu comprar o ingresso pra você, aí você vai?". É claro que iria, mas brinquei e disse que ele teria que me buscar em casa e levar de volta, como fazíamos nos tempos em que frequentávamos shows quase todas as semanas. Ele concordou e o assunto morreu aí. Umas seis semanas depois, sem muito contato entre nós e dois dias antes do show, ele me liga e diz "que horas passo na sua casa pra ir no Iron?". Eu tinha até me esquecido do evento então foi mesmo uma grande surpresa. Pulei de alegria até quase bater a cabeça no teto pela chance de assistir ao Iron Maiden pela terceira vez na vida.
Sobre o show não há o que comentar. É
Iron Maiden, um ícone, quem não conhece não vai entender e quem conhece não precisa de explicações. Adicione o fato que era a turnê
'Somewhere Back in Time' com apenas as músicas da fase épica da década de 1980, a trilha sonora da minha adolescência, aí dá para imaginar a nostalgia que nos tomou naquele dia. Mesmo sem ouvir as músicas do setlist com a mesma frequência de antigamente, as letras estavam todas devidamente decoradas como dezoito anos atrás. Derreti no calor da tarde, me encharquei na chuva intensa da noite, quase perdi a voz antes da quinta música e não fui o único a ficar com os olhos marejados em algumas das execuções, especialmente em 'Moonchild' e 'The Clarvoyant' - ouvi o álbum
'Seventh Son of the Seventh Son' à exaustão quando estava no segundo ano colegial e foi impossível não lembrar de muitos dos momentos vividos nessa época, tanto bons como ruins mas todos importantíssimos para definir quem eu sou hoje.
A crise do mercado financeiro, que veio e já foiAssim como o Iron Maiden, quem conhece o mercado de ações acha fascinante, quem não conhece acha chato e elitista. Seguem alguns comentários do período, que quem sabe desperte a curiosidade de algum amigo leitor para o tema. Vale lembrar que investir em bolsa de valores é algo bem mais simples e acessível do que se imagina; com R$ 100 é possível iniciar nesse mercado num bom fundo de renda variável com ganhos anuais que podem chegar a 80%, como ocorreu em alguns em 2007.
Virei o ano muito satisfeito com minha carteira de ações: apesar da
crise do subprime ela rendeu 34% e até poderia ser mais, mas eu não quis me expor muito à volatilidade do mercado, especialmente no segundo semestre. Quando o mercado começou a ter más notícias dos balanços de 2007 eu poderia ter vendido tudo e segurado o lucro mas analisei mal os eventos. Fiz as contas dos dividendos que receberia, das corretagens das operações de venda e recompra e achei que seria mais vantajoso continuar comprado (ainda mais que meu perfil é de longo prazo, assumo posições pensando em cinco anos). Pois bem, o lucro de 34% virou um histórico e inédito prejuízo de -27%... Mas não me abalei, pelo contrário: não vendi nada, comprei mais ações aproveitando que estavam 'com desconto', diminuindo meu custo médio por ação e agora, cinco meses depois e graças ao
Investment Grade e à
fusão da Bovespa com a BM&F já alcancei os 12% positivos. Apesar do período conturbado, não acho que errei em continuar com as ações na carteira, mas vendo em retrospecto penso que errei a mão em quatro pontos.
fiz uma única compra de papéis do Bradesco (BBDC4) em Dez/07, deveria ter dividido a operação em duas para diminuir o custo médio.tentei fazer um swing trade no IPO do Banco Panamericano (BPNM4), um banco de crédito em plena crise de bancos de crédito (subprime), sem histórico de negociações para analisar e ainda fiquei segurando o papel apesar da liquidez baixa, com menos de 100 negócios por dia. Fiquei quase cinco meses com as ações e perdi 15% do capital investido, quando resolvi vender assumindo o prejuízo e com o dinheiro que ficou comprei tudo da Vale (VALE5), que começava a mostrar um momento propício para entrada. Em três semanas todo o numerário perdido com BPNM4 foi recuperado e ainda rendeu um lucro de 9%, que continua subindo.comprei poucas ações da Petrobrás (PETR4) quando ela chegou no menor preço desde Ago/07, deveria ter comprado o dobro. Algumas semanas depois comprei mais ações e o lucro já alcançou os 25%, mas poderia ser de 40% baseado apenas no preço pago da compra anterior.achei que as ações da CSN (CSNA3) e da Gerdau Metalúrgica (GOAU4) estavam muito caras e fiquei observando a queda de preços durante a crise esperando que atingissem níveis mais baixos para comprá-las. Os tais níveis não chegaram, continuei achando caras por bobagem e deixei de ter dois lucros fenomenais de 44% e 97%, respectivamente, em apenas três meses.
Mas o mercado de ações é assim mesmo, às vezes parece mesa redonda de futebol: é mais fácil apontar os erros e acertos da arbitragem, dos técnicos e jogadores no VT com replay em câmera lenta, do que na hora em que a bola está rolando ao vivo.
Avanti Palestra! Scoppia che la vittoria è nostra!
E falando em futebol não posso deixar de externar a satisfação com que meu coração palpitou a cada jogo do meu querido Palmeiras rumo ao título de campeão do Paulistão 2008 - aquele que os rivais chamam de 'paulistinha' quando perdem e 'SuperCampeonato' quando vencem.
Acho que o elemento que mais me deliciou nessa conquista foi ver meu filho de um ano e três meses me imitando e rindo bastante toda vez que eu gritava 'goool' em frente à TV, nos 5x0 da final foi uma risada atrás da outra. E sem contar que ele serviu de amuleto em boa parte do campeonato: em todos os jogos que assistimos juntos, brincando no chão da sala, o Palmeiras venceu! Quando precisei me ocupar com outras tarefas foram só derrotas e empates. São coisas do futebol essas mandingas inexplicáveis que todos os torcedores possuem.
E confimando aquele ditado que 'há males que vêm para bem', a melhor coisa que aconteceu ao Palmeiras nos últimos tempos foi a perda da vaga para a Libertadores da América na última rodada do Brasileirão do ano passado. Com isso houve a necessidade de rever o trabalho que estava sendo conduzido, trocar a comissão técnica e buscar parceiros para investir no elenco. Não fosse a perda da vaga ficaria tudo no 'bom e barato', não teríamos vencido o Paulista e certamente já estaríamos eliminados da Libertadores desde a primeira fase. Apesar de gostar do trabalho do Vanderlei Luxemburgo, não gosto muito do efeitos colaterais que ficam depois que ele sai do clube, como já aconteceu com Santos, Cruzeiro e o próprio Palmeiras. Como dessa vez o planejamento do Verdão foi feito pela diretoria de uma forma bem diferente dos anteriores, visando não apenas o ano atual e sim os seis anos seguintes (até 2013, um ano antes da Copa do Mundo no Brasil), e não apenas no elenco e sim na instituição como um todo (incluindo uma incrível reforma no estádio) acredito que uma eventual troca de técnico não seria muito traumática como em outras ocasiões. Podemos até perder o campeonato atual, mas não o rumo em direção a um futuro mais vitorioso, como já foi registrado por diversas vezes em nossa emocionante história de quase 94 anos.